Uma pesquisa inédita sobre condições de trabalho e saúde do funcionalismo público da Educação e da Saúde foi lançada nesta terça-feira, 5 de maio, na sede do Dieese, em São Paulo. O presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, esteve presente na mesa de abertura, que alertou para o impacto da digitalização e da gestão algorítmica nas condições de trabalho e no adoecimento desses profissionais.
O estudo foi elaborado a partir de iniciativa vinculada à Frente Parlamentar pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual, coordenada pela deputada estadual Professora Bebel (PT) e presidenta licenciada da Apeoesp, juntamente com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Afuse (Sindicato dos Funcionários da Secretaria Estadual da Educação) e SindSaúde-SP (Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo), e contou com o apoio técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Além do impacto direto na saúde, os dados evidenciam o avanço da chamada gestão algorítmica no cotidiano dos trabalhadores. Segundo a pesquisa, 86,3% dos profissionais associam o uso de ferramentas digitais ao aumento da vigilância e controle sobre o trabalho, enquanto 78,3% relacionam esse processo à intensificação de metas e cobranças individuais.
Para a deputada Professora Bebel (PT), os resultados revelam uma transformação profunda nas relações de trabalho no setor público. Ela explica que: “Estamos diante de um modelo que intensifica o controle, amplia a pressão por metas e impacta diretamente a saúde dos
trabalhadores. Quando quase a totalidade dos profissionais da Educação associa o adoecimento mental ao trabalho, isso não pode ser tratado como algo pontual — é um problema estrutural que precisa ser enfrentado”.
A parlamentar também destacou que o processo de digitalização, sem regulação adequada, tem ampliado a sobrecarga e alterado a dinâmica do trabalho nas redes públicas. Segundo ela, “a tecnologia deveria contribuir para melhorar as condições de trabalho, mas o que vemos é o contrário: aumento de tarefas, intensificação do ritmo e mais controle sobre o trabalhador”.
Os dados da pesquisa indicam ainda que o uso de ferramentas digitais tem sido acompanhado por aumento do volume de tarefas e do ritmo de trabalho, tanto durante quanto fora do expediente, reforçando a percepção de sobrecarga entre os profissionais.
Raimudo Suzart, presidente da CUT-SP, destacou em sua fala a urgência do Congresso Nacional aprovar o fim da escala 6×1, juntamente com a redução da jornada sem a redução salarial.
“A redução do tempo de trabalho traz benefícios à saúde dos trabalhadores, pois passam a ter mais tempo para descansar e estar com a família, mas precisamos pressionar o Congresso para avançar com esse projeto do governo Lula. E aqui em São Paulo, a unidade dos trabalhadores é essencial para enfrentar esse desmonte promovido pelo governador e pelo prefeito. Trabalhadores do campo, da iniciativa privada e do setor público precisam estar juntos, lutando por uma melhor qualidade de vida para toda a sociedade”, afirmou o dirigente.
Realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, a pesquisa se baseia em respostas de integrantes do funcionalismo estadual da Saúde e da Educação, e traz um diagnóstico sobre os efeitos da digitalização nas condições de trabalho e no adoecimento dos trabalhadores, entre outras informações.
Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=68998












