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Proteção às mulheres negras exige igualdade e direitos, afirmam dirigentes da CUT – CUT

redacao by redacao
21/07/2026
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Proteção às mulheres negras exige igualdade e direitos, afirmam dirigentes da CUT – CUT
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Publicado: 21 Julho, 2026 – 14h08 | Última modificação: 21 Julho, 2026 – 14h30

As mulheres negras brasileiras seguem sendo as principais vítimas de feminicídio no país. Elas representaram 62,6% das vítimas desse tipo de crime, evidenciando que a violência de gênero afeta de forma mais intensa mulheres expostas às desigualdades raciais, sociais e econômicas.

Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que analisou os registros de feminicídio entre 2021 e 2024. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum. O número corresponde a uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.

O tema ganha ainda mais destaque neste mês, marcado pelo Julho das Pretas e pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.

O perfil das vítimas

Embora o feminicídio atinja mulheres de diferentes perfis, os dados revelam um impacto desproporcional sobre as mulheres negras. Enquanto elas representaram 62,6% das vítimas entre 2021 e 2024, as mulheres brancas corresponderam a 36,8% dos casos.

Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Atlas da Violência 2026 também apontam que as mulheres negras apresentam taxas de homicídio superiores às das mulheres não negras, indicando que as desigualdades raciais permanecem entre os fatores associados à violência letal.

Além disso, elas concentram maiores índices de pobreza, desemprego, informalidade e baixos rendimentos, enfrentando mais dificuldades de acesso à moradia, à assistência jurídica, aos serviços públicos e às redes de proteção.

Raça e gênero

Para a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, o enfrentamento ao feminicídio exige políticas públicas que considerem, de forma articulada, as desigualdades de gênero, raça e classe.

“O combate ao feminicídio exige políticas públicas que enfrentem de forma articulada as desigualdades de gênero, raça e classe. Isso significa fortalecer a rede de proteção às mulheres, ampliar oportunidades de trabalho decente, garantir acesso à saúde, à moradia, às creches, à educação e aos demais serviços públicos, criando condições para que as mulheres, especialmente as mulheres negras, possam viver com autonomia, segurança e dignidade”, afirma.

A dirigente destaca ainda que o Projeto de Combate ao Feminicídio desenvolvido pela CUT busca fortalecer a atuação sindical na prevenção da violência, na formação de dirigentes, no acolhimento de trabalhadoras em situação de violência e na articulação com a rede de proteção nos territórios.

Negociação coletiva no enfrentamento à violência

A secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, afirma que o enfrentamento à violência contra as mulheres também passa pela atuação do movimento sindical nas negociações coletivas e pela articulação entre diferentes organizações de mulheres.

“Nós orientamos que temas como a violência e o assédio sejam levados para as mesas de negociação coletiva, para que os acordos e convenções incluam cláusulas de proteção às trabalhadoras e medidas de prevenção.”

Segundo a dirigente, a CUT tem fortalecido a articulação entre mulheres de diferentes setores, como demonstrou a mobilização do 8 de Março, para enfrentar o machismo estrutural, o patriarcado e o racismo.

“Esse trabalho tem contribuído para ampliar o debate na sociedade e reforçar que comportamentos discriminatórios e violentos não podem ser tolerados”, afirma.

Violência dentro de casa

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que a maior parte dos feminicídios ocorre no ambiente doméstico e é praticada por pessoas próximas da vítima.

Entre 2021 e 2024, 59,4% dos crimes foram cometidos pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro. Em 97,3% dos casos, o autor era um homem.

A residência da vítima foi o local onde ocorreram 66,3% dos feminicídios registrados no período analisado.

Legislação e políticas públicas

O Brasil conta com instrumentos legais voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres, entre eles a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) e a Lei nº 14.994/2024, que ampliou a proteção às mulheres e endureceu as penas para o crime de feminicídio.

Também integram a rede de proteção serviços como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, a Casa da Mulher Brasileira, o Ligue 180 e o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

Especialistas apontam que a efetividade dessas políticas depende da ampliação da cobertura territorial, do financiamento dos serviços e da integração entre os diferentes órgãos responsáveis pelo atendimento às vítimas.

Educação como prevenção

Pesquisadores e organizações que atuam no enfrentamento à violência contra as mulheres defendem que as políticas de prevenção também passam pela educação.

A promoção da igualdade de gênero, da equidade racial e dos direitos humanos desde a infância é apontada como uma estratégia para combater práticas discriminatórias, desconstruir padrões de violência e fortalecer relações baseadas no respeito.

No caso das mulheres negras, especialistas destacam que o enfrentamento ao racismo e aos estereótipos desde os primeiros anos de vida contribui para o fortalecimento da autoestima, da identidade e do acesso a direitos.

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Fonte da matéria https://www.cut.org.br/noticias/protecao-as-mulheres-negras-exige-direitos-afirmam-dirigentes-da-cut-83ac

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