Com uma participação ampla, de mais de 100 pessoas, a Secretaria de Saúde do Trabalhador da CUT-SP promoveu o debate sobre a inclusão de um importante item na NR-1, nesta quarta-feira, 30. Com a entrada do item 1.5 na norma, as empresas devem identificar riscos psicossociais e adotar medidas para mitigar os impactos na saúde mental no local de trabalho.
O secretário de Saúde do Trabalhador, Valdeci Henrique (Verdinho), ressaltou a importância da inclusão na norma, que entrará em vigor no dia 26 de maio. “Diante de tanto retrocesso dos últimos anos, essa é uma conquista importante. Estamos na luta, junto ao Ministério do Trabalho, para a entrada e cumprimento do item”, pontuou o dirigente.
A pressão para fazer valer a norma foi pontuada pelo secretário de Mobilização da CUT-SP, Osvaldo Bezerra (Pipoka). “As empresas querem estender o prazo para a norma entrar em vigor. Não podemos permitir. Precisamos consolidar uma cultura de prevenção como ferramenta fundamental. Hoje o peão sofre com o que o patrão faz e depois o estado precisa tratar”, ressalta.
Durante a mesa de abertura, o presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, abordou o tema. “Só temos segurança do trabalho com um sindicato forte. Lembro que o Sindicato dos Químicos conseguiu fechar uma fábrica por falta de segurança do trabalho. Quando falamos de riscos psicossociais, precisamos considerar esse mundo digitalizado, essa necessidade de estar hiper conectado no trabalho, isso tem impacto significativo no aumento das doenças mentais”, reflete.
Os dirigentes reforçaram sobre como o avanço do fascismo tem colaborado para a piora da saúde mental, já que as políticas defendidas por esse setor impactam negativamente a classe trabalhadora. “Enquanto estamos lutando contra a escala 6×1, o Milei, na Argentina, aprovou uma reforma trabalhista com jornada de 50 horas. Se a extrema direita vencer as eleições, movimentos sindicais e sociais irão sofrer as consequências”, comentou Renato Zulato, secretário-geral da CUT Brasil.
“A política do fascismo é de extermínio. Com as mudanças climáticas colocadas e a defesa do estado mínimo, eles nos destroem no local de trabalho, destroem quem trabalha nas ruas. Os trabalhadores e trabalhadoras da zoonoses, por exemplo, são impactados pela quantidade de veneno usado no trabalho, eles sofrem sequelas severas e muitas vezes não conseguem afastamento”, compartilhou Solange Ribeiro, secretário de Meio Ambiente da CUT-SP.
Em 2025, a Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por transtornos mentais e comportamentais, sendo as mulheres maioria nesse montante, representando 63,46% dos benefícios. Esse dado foi reforçado pela secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Marcia Viana.
“A CUT avança no protocolo contra assédio no movimento sindical, e precisamos lutar para a ratificação da Convenção 190, que regulamenta o assédio no mundo do trabalho. A luta pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 é um debate extremamente importante, sendo que as mulheres são as maiores impactadas pela dupla, tripla, jornada”, analisou a sindicalista.
Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=68973












