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Marina Silva e Sônia Guajajara refletem sobre justiça climática e trabalho na CUT-SP

redacao by redacao
13/06/2026
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Marina Silva e Sônia Guajajara refletem sobre justiça climática e trabalho na CUT-SP
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Publicado: 12 Junho, 2026 – 17h08 | Última modificação: 12 Junho, 2026 – 21h14

A relação entre justiça climática, defesa da soberania nacional e participação da classe trabalhadora foram pautas da abertura do “Seminário Pós-COP30 e a Situação dos Trabalhadores”, realizado nesta sexta-feira, 12 de junho, no auditório da CUT Brasil.

Organizado pela Secretaria de Meio Ambiente da CUT-SP e o Sindsep, o evento reuniu autoridades de destaque para discutir o tema, entre elas Marina Silva (Ex-Ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima e Deputada Federal), Sônia Guajajara (Ex-Ministra dos Povos Indígenas e Deputada Federal) e Márcio Astrini (Observatório do Clima). 

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Durante a abertura do seminário, o presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart, ressaltou o impacto das eleições e a falta de responsabilização das grandes empresas que cometem crimes ambientais. “As denúncias acontecem, os mares estão sendo poluídos, empresas matam e não temos uma discussão por parte dos governantes. Precisamos discutir, temos eleições e não temos como dissociar”, reflete.

Elineudo Meira (Chokito) / SindsepElineudo Meira (Chokito) / Sindsep

A secretária de Meio Ambiente da CUT-SP, Solange Ribeiro, destacou a importância de refletir sobre os impactos das privatizações e da terceirização nos serviços públicos e na vida da população, que estão conectados com as mudanças no clima.

“Estamos vendo coisas muito sérias acontecendo. A privatização da Sabesp e os desastres que têm ocorrido por erro humano mostram a necessidade de discutir profundamente a terceirização. Precisamos olhar para essa questão com responsabilidade”, afirmou.

A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, defendeu a importância da unidade entre diferentes setores da sociedade para enfrentar a crise climática.

“Fico muito animada quando vejo trabalhadores e trabalhadoras de vários segmentos reunidos. Essa não é uma luta apenas dos povos indígenas ou dos ambientalistas. É uma luta que envolve a classe trabalhadora, as periferias, os governos e toda a sociedade. O que está acontecendo não é um problema do futuro. Já estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas em todos os lugares”, afirmou.

Sônia também relacionou a defesa do meio ambiente ao enfrentamento da extrema direita e do negacionismo climático.

“O avanço da extrema direita, que promove o ódio e nega a ciência, está conectado com as ameaças aos nossos territórios e aos nossos direitos. Os povos indígenas sempre estiveram na linha de frente dessa resistência”, destacou.

Outro tema que gerou preocupação durante o seminário foi a exploração das chamadas terras raras, minerais estratégicos utilizados na produção de equipamentos eletrônicos e baterias.

“O que defendemos é que o Brasil não entregue suas riquezas sem que o povo brasileiro tenha acesso aos benefícios gerados por elas. Precisamos garantir soberania, participação social e respeito aos territórios e aos povos que serão diretamente afetados”, concluiu.

Na segunda mesa do evento, além de Sônia Guajajara, estiverem presentes Renato Zulato (secretário-geral da CUT Brasil), Marina Silva (deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente) e Marcio Astrini (secretário-executivo Observatório do Clima).

Zulato, secretário-geral da CUT Brasil, relembrou da participação do movimento sindical na COP30, realizada, no Brasil em novembro de 2025. O dirigente apresentou as contribuições apresentadas pela classe trabalhadora na Conferência e a continuidade de diálogo que se segue com os governos para a incorporação dessas propostas nas políticas públicas de mitigação às emergências, bem como a inclusão nos acordos e convenções coletivas.

“Levamos nossas reivindicações e sabemos das dificuldades de incluir a questão do mundo do trabalho na temática do clima. Como fazer essa transição justa sem afetar os empregos, trabalhadores e trabalhadoras, é sempre ponto do discussão”, reflete o dirigente sindical do ramo químico.

Garantia da democracia e mundo do trabalho

A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a defesa da democracia está diretamente ligada à construção de alianças amplas em torno das pautas sociais, ambientais e do trabalho.

“Em 2022, só foi possível vencer as eleições com esses ecossistemas de forças democráticas para salvar a democracia. Estamos em uma crise e a democracia precisa dar respostas para os problemas reais que as pessoas estão enfrentando”, afirmou.

A deputada chamou atenção para os desafios colocados pelas transformações tecnológicas e pela emergência climática, que exigem novas respostas para o mundo do trabalho.

“Está tudo no mesmo pacote: o avanço tecnológico, a inteligência artificial e as mudanças climáticas. Muitas profissões repetitivas serão substituídas pela IA. Precisamos de uma formação variada para conseguirmos transitar entre diferentes profissões. Quando pensamos nos nossos filhos e netos, precisamos nos perguntar quais empregos eles terão no futuro”, destacou.

Desmontes e retomada

Durante a gestão Bolsonaro, o Brasil enfrentou desmontes da política ambiental e seus órgãos, além de altos índices de desmatamento na Amazônia Legal. O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, relembra esse histórico.

“É importante ressaltar que a Marina Silva pegou um ministério arrasado. O crime ambiental tinha garantia de impunidade e estava institucionalizado no governo Bolsonaro”, pontua o especialista. 

Em maio deste ano, o desmatamento na Amazônia Legal caiu 61,4% em comparação com o mesmo mês de 2025, registrando o menor nível da história. Para ele, isso é fruto do trabalho do governo federal.

“Isso é uma conquista muito grande, tendo em vista todo o histórico de desmontes no governo Bolsonaro. A Amazônia tem um desafio enorme, com uma rede de crime organizado complexa de ser combatida”, pontua Astrini.

Os eventos climáticos extremos também foram pautados pelo especialista, como a chegada do El Niño, fenômeno esperado para os próximos meses, que altera os padrões de vento, temperatura e chuva. Astrini reforça também que os impactados por esses eventos têm classe social, raça e gênero. 

“A classe trabalhadora, população negra, periférica e as mulheres são os maiores vulnerabilizados por esses tipos de eventos climáticos extremos”, finaliza. Ele acredita que, em breve, o governo federal lançará um plano de preparação para o enfrentamento ao El Niño.



Fonte da matéria https://sp.cut.org.br/noticias/marina-silva-e-sonia-guajajara-refletem-sobre-justica-climatica-e-trabalho-na-cu-3e34

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